sábado, 15 de agosto de 2009

memento park

Diferente dos outros países que eram comunistas, a Hungria não destruiu os monumentos que faziam menção ao regime quando de sua queda em 1989. Pra eles era evidente que aquela era uma página da história que não devia ser arrancada, mas guardada e lembrada pra não esquecer a lição. Há alguns anos então eles recolheram todo este material e colocaram num parque que fica a alguns minutos do centro.











sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sziget Fesztival I



Pega o planeta atlântida, multiplica por cinco, bota um monte de banda boa, mistura com os mais loucos estilos musicais e joga tudo no forno no meio da Europa: Sziget Fesztival!!!



Em agosto eles fecham uma ilha inteira do Danúbio só para o evento. Uns números pra resumir: treze palcos tocando simultaneamente, quase 400 mil visitantes (mais da metade de fora da Hungria), mais de 250 bandas/artistas se apresentando em 6 dias de festival.



Olha no bar de quem eu fui derrubar uma gelada...

Achando que o show ia atrasar, ficamos rateando e quando vi o JET já estava no palco. Run for your life!!










Movidos a Long Island.

Filial do Carpinejar em Budapest. "Sziget" significa "ilha".


Prodigy era o show mais esperado do dia. Nunca curti muito o som dos caras, mas como diz o Kaká, "estando no inferno o que custa ir lá dar um abraço no diabo?". Putz, o troço é insano! A gente 'tava a várias dezenas de metros do palco mas a muvuca era como se estivesse na primeira fila. Todo mundo maluco, pulando e gritando. Da banda não deu pra ver nada. Fotos?? Pfff... O Guilherme até conseguiu algumas...


A banda que o Guilherme mais queria ver era a mexicana Brujeria, só que rolava ao mesmo tempo do Prodigy, então olhamos só metade do show e corremos pro palco headbanger. Foda que pegamos só a última música. Tinha q ver a cara de cão-sem-dono dele.
"Pô, cara, não acredito!"
"Velho, esquenta não que a gente vai arranjar um jeito de compensar."
"Ah, não tem como..."
"Vai por mim, vamulá no backstage."
"Ha, impossível de entrar."
"Impossible is nothing!"

Guilherme e Juan Brujo

Depois de 11 horas de festival, cama que ninguém é de ferro. Afinal, domingo tem mais!!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Morrison's

Três coisas que odeio sobre a Hungria:
-cerveja quente;
-implorar pra ser atendido e perder 20 minutos no balcão pra conseguir comprar uma cerveja, quente.
-tentar ser gentil com a garçonete se aventurando em seu idioma e em troca tomar esporro por não ter dinheiro trocado pra receber uma merda de cerveja... quente!

Eu que gostava de ir no Morrison's toda segunda-feira (principalmente por causa da promoção de 3 cevas por 500Ft) não sei se volto lá tão cedo depois disso e do que aconteceu com o Pablo, escurraçado pelo segurança simplesmente porque estava conversando numa zona de passagem. Prova que estupidez é uma coisa que transcende geografia e idioma.

sábado, 8 de agosto de 2009

Êbaia!!

Quem disse que não tem praia em Budapest?? Quem disse que não dá pra nadar no Danúbio??


PS: ingressos pro Sziget comprados! Ávido pra ver o Jet!!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

faq 1: megszentségteleníthetetlenségeskedéseitekért

Tem algumas perguntas que me têm sido feitas com certa recorrência e, embora eu goste de responder personalizadamente a cada um que me questiona, muitas vezes esqueço de citar algo importante ou um fato pitoresco sobre o assunto. Pra resolver isso, decidi criar uma espécie de "FAQ" e com este post 'tô abrindo a seção. Nosso primeiro tópico é: língua!


1. Mas afinal, que língua se fala na Hungria?
Lamento decepcionar os desavisados, mas eles falam... (pausa dramática, música de suspense)... HÚNGARO!

2. E tu fala húngaro, cara?
Sim, é porque eu sou a reencarnação de um lendário príncipe huno!

3. Engraçadinho... Como tu te vira então?
Falando inglês, ora: na empresa onde trabalho, 30% das pessoas fala bem e o restante está aprendendo; no geral, a maioria dos jovens fala também, pois o ensino de inglês na escola é efetivo e não apenas simbólico; na universidade acho que mais de 80% dos estudantes tem fluência*. Além disso, a cidade é muito cosmopolita e tem gente de todos os cantos vivendo aqui; adivinha que língua eles falam...

4. Mas é muito difícil de aprender a língua local?
Segundo o estudo de um instituto britânico, ele está em segundo lugar no ranking dos idiomas mais difíceis de aprender no mundo (para adultos nativamente anglófonos). Na questão da pronúcia, creio que para nós, brasileiros, ainda deve ser mais difícil aprender alguma língua oriental, pois no húngaro não há fonemas que sejam novos pra nós, enquanto que, sobre o coreano, por exemplo, não posso dizer o mesmo. Ainda assim, o nível de difculdade é muito, muito alto.

5. Por quê? É diferente?
Totalmente! Essa talvez seja a principal dificuldade de aprendizado: o léxico é completamente diverso. Raríssimas palavras têm algma semelhança com alguma outra língua ocidental moderna, então fica muito difícil de fazer qualquer relação com algo conhecido e, por conseguinte, memorizar os vocábulos. O húngaro é a única língua reminiscente do grupo fino-úgrico, da famíla urálica, não tendo similaridade com nenhuma outra; há um parentesco longínquo com o finlandês, mas os húngaros dizem que não percebem semelhança prática. Eles usam o alfabeto romano, o que facilita a escrita, só que a versão deles tem 44 letras.

6. Ah, capaz! Como assim?
O alfabeto é muito bacana porque é lógico: cada letra tem um fonema e cada fonema, uma letra. Quatorze são vogais (o nosso aeiou mais ö e ü, podendo todas elas serem dobradas: áéíóúőű) e algumas letras são representadas usando dois símbolos; por exemplo, "zs" é uma letra (não duas!) que tem som de "J". Engraçado que eles não têm o nosso "ã" e simplesmente não conseguem pronunciá-lo, mas conseguem perceber a diferença quando eu falo. Outra coisa interessante é que a sílaba tônica é sempre a primeira, por isso, não há acentos (os símbolos nas vogais são sinais diacríticos). Mas o caso é que tem muitas particularidades e regras, isso torna a tentativa de criar frases bastante constrangedora.

7. Mas que tipo de regras?
Uma característica forte é que a formação das palavras é altamente aglutinante, parecido com o alemão. Em bom português, palavras enormes! Pra começar, um verbo pode ser conjugado em muitos tempos e pessoas diferentes, assim como no português, mas nos modos definido ou indefinido; por exemplo, o verbo "trazer" teria duas conjugações diferentes nas frases "eu trago uma cadeira" e "eu trago a cadeira". Aí os substantivos e adjetivos podem ser declinadaos em 18 casos gramaticas diferentes, enquanto no português são só 2 ou 3, se não me engano. Depois ainda tem uma tal de harmonia vocálica, então não basta só saber conjugar e/ou declinar, a palavra também tem que soar bem!! O vernáculo é muito rico e tem muitos sinômimos pra mesma coisa, dependendo do contexto. Pra dizer um simples "por favor", por exemplo, tu tem que escolher uma entre 5 possibilidades e nem sempre todas são adequadas.

8. Ah, mas então tu tá aprendendo?
Não estou tenho aulas, mas é claro que, estando imerso na cultura, a gente acaba pegando algumas coisas, nem que seja por osmose. Normalemente a gente escamba lições de português e húngaro no escritório. Já sei me defender dizendo algumas sentenças básicas (obrigado, por favor, bom dia), palavrões, alimentos (importantíssimo!!) e agora 'tô aprendendo os números pra, pelo menos, poder comprar coisas sem precisar de ajuda. Ah, também sei cantar "parabéns à você".

9. E vai ficar só nisso?
Confesso que me sinto seriamente tentado a aprender a língua pois, se por um lado ela é assim difícil, por outro lado é muito forte e lindíssima. Afinal, quem for capaz que me diga outro país que começou uma revolução por causa de uma poesia. Contudo, embora meu instinto queira se aventurar no idioma, meu censo de custo/benefício fala mais alto dizendo que não vale a pena o esforço; além do quê, tenho outras prioridades.

10. Bacana! Mas to curioso pra ver como soa, tem como tu falar alguma coisa aí pra eu ver?
Ah, dá pra tentar...
[vídeo]

E a propósito, essa aí no título é a mais longa palavra em húngaro (44 letras). Na prática ela não faz muito sentido, é mais uma brincadeira em cima da possibilidade gramatical que existe pela língua ser massivamente sufixada. Teria um significado parecido com "devido à sua contínua impossível circunspecção apenas por diversão". Mas não venha dizer que isso é a prova cabal da dificuldade da língua, pois em contrapartida, o português ainda esta na frente no ranking das maiores palavras já que temos muitas pessoas pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconióticas.

Contudo, ambos - nós e os húngaros - ficamos atrás dos germânicos com sua "lei de cessão de obrigação da supervisão de rotulação da carne", ou, simplesmente, "rindfleischetikettierungsüberwachungsaufgabenübertragungsgesetz".

fontes: wikipedia e hungarotips

*choque cultural: aqui é comum ter aulas ordinárias em língua estrangeira na faculdade, por isso a maioria dos estudantes é fluente. Na Unisinos, certa vez, quase começaram um motim quando um professor mandou um texto em inglês pra estudar! A gente reclama que é atrasado, mas não faz nada pra se ajudar...

domingo, 2 de agosto de 2009

Mínimo

Despedida do Roberto (parte II). "Farewell soccer match" na Margit Sziget: brasileiros vesus resto do mundo.

Praia dos húngaros: as margens acimentadas do Danúbio.

Brasileirada é pagode, ...

...pelada, capoeira e passes de rugby (?).


Antes de virmos embora ainda passamos no Gödör pra tomar a saideira. Aí já no caminho para a parada de ônibus, fomos reconhecidos através das camisetas que vestíamos por brasileiros recém-chegados que nos abordaram. Os três jogadores de futebol estão há duas semanas aqui e falam apenas português. (Eita coragem!). Enquanto dávamos algumas dicas, um mendigo se aproxima e começa a falar em húngaro.
-Bocs, nem beszélek magyarul... - já disparo logo.
-English? Deutcshe? - questiona o indigente trilíngue.
Indico o inglês e ele começa com aquela ladainha que é igual em qualquer canto do mundo. Mas diferente dos outros pedintes poliglotas que eu já tinha visto, esse não repete um texto pronto e decorado: começa a conversar com fluência espantosa, explicando que quer ajuda pra comprar comida, não alcool. Pede com educação, suplica. Diego se consterna e, abrindo uma exceção na sua política pessoal, puxa do bolso algum dinheiro que havia recebido de troco, o qual entrega ao homem.
-Isso? Como posso comprar comida com isso? - resmunga ele apontando as moedas sobre sua outra mão ainda aberta.
Fico atônito. Pasmo com a reclamação, Diego responde de pronto:
-Ah, é? Não gostou? Então devolve!
Relutante, o homem anda tenta argumentar, mas Diego está tão indignado que não dá margem alguma àquilo que ele diz.
-Me devolve! Anda, devolve!

Eu já tinha visto um bocado de coisas desse tipo, de argumentos dos mais absurdos pra pedir dinheiro até golpes mirabolantes, mas nunca vi mendigo com esmola mínima!