Chove em Budapeste. Chuva que vem e vai, sempre pega de surpresa. Vento e frio que faz duvidar da primavera que aí está. Clima que seria ótimo pra ficar em casa comendo pinhão. Mas como aqui não temos tal iguaria - eu nem gosto muito, mesmo - e os fins de semana têm contagem limitada e regressiva, não basta São Pedro estar de cara feia pra ficar longe da rua.
A convite da Bárbara, fui até a Fisherman's Bastion pra apreciar a vista, tomar chimarrão e fazer experimentos fotográficos com a função "panorama" da câmera dela.
Vista da cidade com a Ilha Margarida, Parlamento e Basílica de Santo Estevão.
Ah, três é demais!
No fim da tarde as nuvens deram trégua e o sol nos trouxe um convincente arco-íris pra confirmar que...
Aconteceu na mesma semana em que decidi vir pra Budapest. Estava numa livraria procurando um presente para uma amiga e passava a mão pela lombada de vários volumes, lendo de relance autor e título. Eis então que as letras escuras sobre a tarja mostarda surgiram como que por encanto entre meus dedos, por debaixo da mão. Sabendo do meu vindouro destino, instintivamente puxei-o e segurei pela contra-capa num só movimento e, olhando o livro de frente, não resisti a ler os primeiros parágrafos que estavam na própria capa. Quando cheguei na linha que dizia ser o húngaro "a única língua que o diabo respeita", parei de súbito. Não queria opiniões de terceiros sobre Budapest, nem boas, nem ruins; nem que fossem do Chico Buarque. Queria as minhas próprias, livres de qualquer tendência.
Devolvendo-o ao lugar onde encontrei, segui na minha busca que logo obteve êxito. Embora prefira os meios eletrônicos, paguei em dinheiro pra sair logo dali. Andava rápido, quase corria. Já havia sido copiosoamente difícil decidir aceitar o desafio de vir pra cá, então sofrer na véspera sabendo de algo que porventura eu pudesse não gostar era um conhecimento do qual eu fazia questão de abrir mão. Porém mais tarde me arrependi. Fiquei sabendo que, embora se passasse na cidade, o romance falava muito pouco sobre as impressões que ela gerava, focando mais na língua em si. Voltei a considerar lê-lo e pensei que algum amigo fosse me dar o livro como presente de formatura por achá-lo adequado, o que acabou não acontecendo. Ainda arrisquei uma última tentativa no aeroporto de São Paulo já no caminho da vinda, mas não tive sorte. Acabei vindo sem conhecer a história.
Aqui, o assunto é recorrente em conversas informais, especialmente agora que o livro virou filme e boa parte foi rodada em Budapest. Ontem à noite, por acidente, achei o trailer quando procurava outra coisa no youtube e ver nele as cenas da cidade, dos lugares onde passo, me tomou de assalto: eu precisava ler o livro.
Com um pouco de empenho, achei o e-book na internet, baixei e comecei a leitura. As palavras fluiam como barco de vento em popa e devorei o texto como uma criança sedenta que se lambuza comendo melancia no verão. Às vezes precisava voltar um parágrafo pois engolia algumas palavras na ânsia de saber o próximo desfecho. Li tudo numa sentada, um deleite.
Acordei esta manhã e não estava satisfeito. Pensei em ler tudo novamente ou sair à cata de um original na casa de amigos. Aí lembrei do endereço que Buarque cita no livro. Será que existe? O que será que tem lá? Joguei no Google Maps e encontrei! Bom, não exatamente. Tóth é um sobrenome e tinha vários nomes de ruas que o continham. Porém a "Tóth István" era a única que ia até o número 84, ficava no lado Pest e a estação de metrô mais próxima era a Újpest-Központ que, deduzi, deve ficar no distrito de Újpest; achei coincidência demais. Era relativamente perto da minha casa e, pelo site da BKV, descobri que bastava pegar um tram e um trolei que chegaria fácil. Na verdade, não foi tão fácil assim: passei da parada, caminhei pra caramba, não achei quem falasse inglês, mas enfim achei o caminho.
Dobrei certa esquina e vi que já estava na rua certa, alguns números antes do meu destino. Em contraponto à calma do subúrbio, andava agitado por aquela alameda cheia de árvores e a cada passo sentia o pulso mais forte na garganta. Passei por uma placa que indicava aquela quadra conter os prédios até o 83. Atravessei a rua sem olhar para os lados e me deparei com a única coisa que não esperava: uma lacuna. Um vazio, um nada, uma pausa, um oco, um vácuo. A quadra seguinte começava no 85.
Incrédulo, olhei ao redor procurando também do outro lado da rua. Mas não tinha jeito: o 84 da Tóth István era apenas a esquina com a Csajág. Larguei o tronco sobre as pernas como faz um atleta derrotado ao fim da corrida, suspirei e ao me colocar outra vez de pé percebi o olhar de incompreensão do senhor da casa vizinha. Me restava apenas tirar uma foto para lembrar da expedição malograda.
Mas afinal, o que eu esperava encontrar? Um museu como o 221b da Baker Street de Londres? A tal casa citada no livro, ou ainda a própria Kriska esperando na soleira?? Percebi como fui tolo indo atrás de algo que sequer eu tinha certeza que existia. As coisas quase nunca estão onde deveriam estar, especialmente se você não sabe o que está procurando.
E será que um dia eu vou saber? Será que eu vou encontrar? Enquanto isso me consolo com as palavras de Galeano que diz que é pra isso mesmo que serve a utopia: pra fazer caminhar.
Por coincidência, assim como na minha cidade natal, aqui também é feriado. Mas claro que a comemoração não é a mesma; afinal ia ser muito estranho a Hungria fazer um feriado nacional por causa da emancipação política de Igrejinha... Fui olhar no calendário oficial, dizia "whit monday". Pesquisando descobri que era "Pentecostes". Alguém aí sabe o que é Pentecostes??
Espero o bonde amarelo que vai me levar até a parada localizada no início da Árpád Híd. É a primeira vez que vejo o tempo nublado aqui, o céu tem uma sombra de cinza que eu não conhecia. No meu mundo toca Foo Fighters, 2005.
À minha direita, uma senhora idosa vestindo uma saia preta florida ostenta um coque bem feito em seu cabelo grisalho e maneja com destreza - em que pese suas luvas brancas de crochê - um i-pod ao qual escuta com um fone de última geração. Me viro pelo ruído alto de um tipo de skate articulado guiado por um rapaz esguio que cultiva um rastafari loiro até a altura de onde está seu cinto, quase no quadril. Acompanho-o com o olhar até que outra cena me captura. É um mendigo de costas para a rua, que, com os joelhos sobre o cordão e os pés pairando no ar, ladainha incansavelmente "por favor, me ajude, por favor". Ele também é alvo de atenção do senhor de meia-idade com paletó desarrumado que segura uma pasta executiva da qual brotam rosas de cor champagne que, deduzo, ele vai dar à esposa.
Dentro do bonde, duas jovens usando meias-calça decoradas riem alto e comentam algo em alemão. Ao redor vejo olhos de todas as cores: de negros intensos do turista asiático que lê atento um cartaz com o itinerário a azuis muito claros da ruiva cheia de sacolas do Tesco; também variados tons entre o verde e o castanho. A loira de tranças lê de pé um livro escrito com alfabeto estranho e no fundo um indiano fala ao telefone com seu inglês muito carregado.
Chego na ilha ainda com um resquício da luz direta do sol que dá seus últimos suspiros entre uma nuvem e as colinas do outro lado do rio. Patos nadam rente a margem sob o lilás que se vê no lado oposto do horizonte. Sigo à esquerda, no caminho oposto ao fluxo principal que prefere dar a volta na ilha no sentido anti-horário. Movimento calculado: queria mesmo ver os rostos e as rugas. Cruzam por mim dois ciganos que discutem algo enquanto fazem gestos veementes. Muitos caminham, a maioria corre; poucos andam calmamente como eu. Mais a frente há um jovem sentado num cais com as pernas cruzadas fitando o nada. Não é preciso vê-lo de frente pra saber como se sente: the deepest blues are black.
Desvio um pouco pra ver a minha árvore predileta, mas dessa vez não me aproximo: um casal sob ela tem uma discussão. Ela chora, ele se desculpa. What if I do? Ouço acordes no intervalo de uma música e outra; saio da bolha criada pelos fones que eu usava pra procurar a origem. É um som que vem da fonte perto da entrada oposta da ilha; me aproximo pra assistir um pouco o balé das águas que dançam ao som de Johann Strauss, nada mais adequado.
Retomo meu caminho, agora já fazendo o retorno em meio ao verde escuro das árvores refletido no pequeno lago central. Já são quase dez, mas sigo ainda com alguma luz no céu. O vento, agora forte e frio, corta minhas canelas desprotegidas como uma navalha. Razor. Volto pra casa pensando na senhora do primeiro parágrafo e como aquela cena poderia ser uma alegoria sobre a atual realidade húngara. Começo a achar que era...
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Tive uma manhã burocrática no escritório de imigração e no ISP da Corvinus. Dedos ainda cruzados...
Acordei relativamente cedo, considerando que hoje é domingo, pois queria ir no Bolhapiac, um mercado de pulgas que acontece todo final de semana no parque atrás da Praça dos Heróis, tipo um Brique da Redenção. Dizem que tem muita bugiganga e quinquilharia da época do comunismo. Lilla se dispôs a me acompanhar e fomos lá conferir.
Chegando no local, qual não é minha surpresa ao descobrir que justamente nesse domingo, talvez o único do ano, o troço não ia abrir pois cederam o lugar pra um evento de Cosplay!? Isso é que é ter azar! Bom, fazer o quê? Já que estávamos lá mesmo, fomos andar pelo parque pra tentar achar outra coisa pra fazer. O fato de estar acompanhado por uma nativa ajuda bastante e torna tudo muito mais interessante, pois sabendo o que as coisas ao redor significam, a paisagem passa a não só cativar pela beleza, mas também pela essência. Ese monumento, por exemplo, eu já tinha visto, mas não tinha dado importância pois sabia do que se tratava. É um memorial da Revolução de 1956, na qual eles furaram a bandeira que no centro tinha um símbolo stalinista pra mostrar sua insatisfação com o regime.
Andamos mais um pouco pra tentar achar algum outro programa interessante pra fazer. E em Budapeste sempre há. Caso você não tenha a mínima idéia do que fazer, é só dar uma banda pela rua que logo descobre algo bacana e barato. Passeando perto do Vajdahunyad, achamos um festival de vinho Kunsági que funcionava assim: por 700 Forints tu ganhava uma taça e direiro a 5 degustações. Traduzindo: mais de meio litro de vinho da melhor qualidade por 7 pila, com direito a música e cultura local. (!!). Sorte é ter azar!
[Fotos: à direita, na estátua do Anonymus; à esquerda, igreja dentro do Castelo]
Já no meio da tarde fomos conhecer a Bárbara que faz parte do Central and Eastern Europe Growth Network Board da Aiesec e por isso, desde de julho do ano passado, já passou por 26 países!! Muita história interessante pra ouvir! Aí descobrimos que 'tavam rolando uns shows de graça na frente do Museu Nacional, então preparamos um chimarrão e rumamos pra lá.
High five!!
Acabamos o dia fazendo uma cervejada no Gödör, comprovando um dos slogans da capital húngara: "é impossível ficar entediado em Budapest".
As coisas mais insólitas acontecem em Budapest. Por exemplo, esses dias estavam chamando para uma guerra mundial de travesseiros, mas não fui pois estavam prometendo armamento pesado e tive receio de sair ferido. :)
Essa semana surgiu o convite pra ir numa "tram-jam" e decidi ir conferir. Era o seguinte: uma banda de country-rock alternativo chamada Last Drops lançou um email chamando os fãs pra se reunirem numa praça, beber uma cevas e pegar o bonde #2, famoso por sua sightseeing tour ao longo da margem do rio, no qual eles iriam tocar e fazer um vídeo enquanto todos iam em direção a um pub onde mais tarde eles iriam se apresentar.
Conforme o combinado, todos estavam na tal praça na hora informada, mas era muito mais gente que eles esperavam e o tram ficou lotado!! Foi divertido pra caramba, muita bagunça e gargalhadas; por pouco não chamaram a polícia.
[colocar aqui o vídeo]
Aí já no bar eu 'tava conversando em português com um italiano que trabalhou na GVT em PoA sobre como achava engraçado o modo como se faz pra chingar o juíz numa partida de futebol por aqui: os húngaros gritam "bunda, bunda!!", que significa trapaceiro. Nisso se virou um desconhecido e exclamou: "porra, só pode ser brasileiro pra ficar falando em 'bunda' desse jeito".
João é antropólogo e 'tá escrevendo sua tese que trata das diferentes visões do regime comunista: fora, dentro e depois dele. Pra isso, morou nos EUA - "los enemigos" -, em Cuba e agora está aqui pois, segundo ele, a Hungria é o país que melhor preserva os registros da sua época comunista e dá subsídios pra estudo. O cara é uma figuraça e, se não me engano, já tem dois mestrados; mas não lembro muito bem porque a cerveja 'tava gelada. Filosofia de boteco agora com pedigree...
Não tinha como escapar, mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer. Calcula aí pra tu ver: ( brasileiros + violão ) x saudades = roda de pagode!!
Decidimos aproveitar o fim de tarde na Margit Sziget juntando a galera e jogando conversa fora. E eu sou valente e assumo: toquei pagode, sim! E daí?? E bossa nova. E sertaneja!! 'Tô até vendo meio mundo dizendo "quem te viu e quem te vê, Roger".
Apareceram também outros conterrâneos como o pessoal que trabalha no Braseiro, restaurante brasileiro que tem aqui, e na ocasião conheci o Jubilei, maluco que taí há uns 4 anos ensinando capoeira (!!). Ele não fala nada de inglês, mas pra quê se nesse tempo aprendeu húngaro (!!!!!!!)?
Quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Pois domingo fomos no tal parque nas montanhas da cidade e hoje fomos novamente. (Como se só tivesse um lugar bacana pra se visitar aqui).
Mas acontece que o pessoal do comitê da Aiesec daqui é bastante ativo e sempre inventa algo pros trainees fazerem durante a semana. Recém ontem sugeriram na mailing-list fazer um passeio lá e hoje já fomos de fato. Só que dessa vez à noite pra ver as luzes da cidade. Esse é um grande barato dessa cidade, porque na verdade são duas: uma durante o dia e outra durante a noite, ambas lindas.
O lance também era pra ser uma espécie de "farewell" pra um trainee chamado Thiago que eu ainda não conhecia. Só quando já estava lá e ouvindo um inglês com sotaque bem familiar que fiquei sabendo que era um brasileiro. O cara é de Uberlândia, estava aqui por dois meses e vai embora amanhã, uma pena q não nos conhecemos antes pois o cara é gente finíssima e fizemos faculdade do mesmo curso. Enfim, c'est la vie...
Pizza, waterpipe e violão sob o céu da Ursa Maior. Sorte que o Thiago (Não o trainee, nem o músico. O meu irmão.) me ensinou a tocar algumas dos Beatles, só eles pra agradarem em qualquer lugar do planeta.
Na foto: Marrocos, Alemanha, Hungria, Nova Zelandia, México, Colombia, Australia, Rússia, Brasil.
Domingo é dia de fazer programa de domingo, ora bolas! Então vamos passear na floresta enquanto seu lobo não vem e conhecer de perto a paisagem bucólica da Normafa, um parque que fica nas montanhas que circumdam a cidade. No alto fica a Torre Elizabeth de onde se pode ver Budapest por completo. Demos ainda a enorme sorte de encontrar um esquilo pelo caminho, valeu a cansativa caminhada.
Onde está o Wally?
Depois do passeio, Lilla se dispôs a cozinhar e provamos o verdadeiro "gulyás" (lê-se gúlhach), o mais famoso prato da cozinha húngara. É uma carne ensopada com um caldo bem espesso, quase um molho, junto com vários legumes e que no fim do preparo leva um tipo de massa feita na hora só com farinha e ovo, o que em casa a gente chamava de "clês" achando que era coisa de alemão. Ah, e muita páprica pra temperar, óbvio! Pra completar o cardápio, vinho tinto. Húngaro, claro! O legítimo sangue-de-boi, ou melhor, "Egri Bikavér". Finom!!
Pra sair nos fins-de-semana, o pessoal da Aiesec só quer saber de ir em "klub's", lugares onde tocam as mesmas músicas batidas que se ouve em todos os lugares do mundo. Não precisa me conhecer muito pra saber que este tipo de lugar definitivamente não faz o meu estilo, mas o que eu posso fazer? O máximo é aceitar os convites que aparecem e cruzar os dedos pra que a festa seja boa. Com isso, minha sede por um bom show de rock só fazia aumentar, e a essa altura qualquer coisa que fosse tocada ao vivo pra mim já tava valendo. Mas eis que Ivan (sempre ele!) me convidou pra ir no Zöld Pardon, um open-air bar que recém estava reabrindo em função da chegada da primavera, pra ver uma banda húngara relativamente famosa chamada Kaukázus. O lugar é massa pra caralho, muito barato (ingresso HUF 300 [~R$2,80] que tu tem que pagar com três moedas a serem inseridas numa roleta), com ceva gelada e cheio de gente maluca. Uma coisa que estranhei pra caramba é o horário: 8pm começa o show, sem atraso. O sol se pondo e a banda mandando ver.
Esqueci de tirar fotos, mas fiz um videozinho que pelo menos serve pra dar uma idéia da fria em que estou metido... Ah, e preste atenção na letra pois segundo o Ivan é a melhor parte da música!
Meu programa de hoje furou, então decidi dar uma volta pela cidade pra conferir o que várias pessoas haviam me dito, que os prédios famosos ficavam ainda mais bonitos à noite, iluminados. E é verdade! Ouvindo Tommy Emmanuel, então...
A parte do Danúbio que corta Budapest é cheia de ilhas. Uma delas, a principal, é a ilha de Margarida, onde a filha de um rei do século XIII passou quase toda sua vida, sendo mais tarde canonizada e dando hoje nome ao lugar. Lá estão as ruínas do convento onde viveu e seu túmulo.
O pessoal costuma ir lá pra caminhar, praticar esportes ou simplesmente sentar ao sol. Hoje fui lá pela primeira vez e de cara entendi o porquê de tantas pessoas amarem o local: é simplesmente lindo, especialmente nesta época. E o melhor: fica a 20 minutos de casa...
Este não é um blog criativo, nem engraçado, nem tem a pretensão de ser leitura interessante a quem procura um passa(perde)-tempo. É apenas um diário público que tem três intenções claras: manter amigos e parentes do autor a par do que anda lhe acontecendo do outro lado do atlântico, compartilhar o conhecimento ajudando aqueles que tem interesse nas coisas com as quais ele está tendo contato e, principalmente, servir de repositório para que o próprio possa lembrar mais tarde das experiências deste período de sua vida (afinal, lembrar é viver em dobro).