quarta-feira, 11 de novembro de 2009

à memória

Nossa, tempão que não posto nada. Mas vamos logo ver o lado bom dessa coisa triste: isso é sinal de que realmente não 'tava podendo. Os últimos meses foram muito intensos, mais que os primeiros, e aconteceram muito mais coisas do que eu pude assimilar completamente. Escrever sobre tudo isso, então, impossível. Mas agora que o outono chegou, o ritmo diminuiu um pouco, e a necessidade de escrever voltou a conseguir espaço.

Nas últimas semanas viajei pra caramba, vi lugares fantásticos, comecei a estudar, tomei vários porres, cantei músicas ridículas, conheci muita gente louca, alguns amigos se despediram, adoeci, me curei, ri até ficar sem ar, me decepcionei, senti muitas coisas pela primeira vez e percebi que ainda tenho muito pra experimentar.

Podia tentar resumir um pouco disso em algumas histórias, mas como diz meu guru "tudo se presume, se resume, se reduz; e o principal fica fora do resumo", então descarto essa idéia. Sei que vou me arredender de ter deixado essa lacuna crescer tanto nesse diário quando for lê-lo daqui a um tempo, então, pra fazer um mea culpa e me auto acalentar, vou escrever sobre o que me aconteceu por esses dias, mas 15 anos atrás, pra que nesse exercício de memória eu me lembre que as coisas mais importantes que vivi não estão em textos que escrevi ou em fotos que tirei.

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Eu já fui em alguns shows de rock, quem me conhece sabe o quanto gosto disso. Fazer uma lista dos melhores é bem difícil, mas entre os "top five" certamente sempre vai estar este sobre o qual vou falar.

Era 9 de novembro de 1994 e eu era um frangote de camiseta preta esperando na frente do Abastec com a maioria dos fundadores da Galera da Farmácia (Emerson, Kinho, Valtoir...) um ônibus fretado que vinha de Três Coroas. Direção: show do Sepultura em Porto Alegre! Raimundos e Ramones de lambuja! Eu ainda não tinha visitado a capital mais de uma dúzia de vezes e aquele era o primeiríssimo show internacional que eu ia presenciar. E eu era LOUCO por Sepultura!

Quando chegamos na frente do ginásio, tratamos logo de entrar numa fila gigantesca e que parecia estática. De repente, começa uma correria no sentido contrário à entrada e eu não entedia o que estava acontecendo, mas como meus amigos foram na onda, não me restou alternativa a não ser seguí-los. Corríamos por nossas vidas ao lado de um paredão que não tinha fim. Quando já estava sem fôlego, finalmente chegamos a uma entrada com uma fila curta. Aí que fiquei sabendo que aquilo tudo era porque haviam recém aberto mais este portão pra entrar no local do concerto. Havíamos dado a volta por fora do estádio Beira Rio.

Nunca vou esquecer da cena logo que entrei no recinto, aquela massa de gente numa arena e o ruído muito alto. "Raimundos" era uma banda revelação na época e embora eu até gostasse deles, a execução exagerada das músicas nas rádios já me fazia lhes torcer o nariz. Não fizemos questão de conferir a apresentação - que já estava na reta final - e aproveitamos o tempo das suas três últimas músicas pra conseguirmos pegar um lugar decente na arquibancada. Durante a espera pro segundo show, comentávamos da violência que imaginávamos haver na pista e rimos muito por entender da forma mais ingênua possível um cara que tomamos por maluco passando de um em um perguntando se alguém tinha seda. "Que pergunta mais sem pé nem cabeça", pensei.

Apagam-se as luzes, gritaria geral. Começa a trilha que abre o Chaos A.D., mas na versão ao vivo ela dura vários minutos. "Tu-gudugudum, tá-tárárárárárárá". Galera enlouquecida e a tensão aumentando com aquela música repetitiva. Os quatro entram no palco e os gritos ainda aumentam. Numa sincronia absurda, a trilha acaba e a banda começa a tocar fazendo apenas as cinco primeiras notas de cada compasso, seguidas de uma parada tenebrosa. Depois de repetirem os acordes quatro vezes, entram rasgando com Refuse/Resist. Vejo gente em transe. Antes do solo, uma parada e a saudação na inconfundível voz do Max: "Porto Alegreeee!!!".

O show todo foi perfeito. Tocaram praticamente todas do álbum do momento e as clássicas dos anteriores. Inner self, Dead embryonic cells... Destaque pro terremoto gerado pelos milhares de pés ritmados ao som de Mass Hipnosys. Depois da quarta ou quinta música, não aguentava mais ficar vendo os caras de longe, queria ir lá, afinal show de rock não é algo pra se assistir sentado, mas ninguém pra me acompanhar. "Tá louco, tu quer morrer, cara??". Liguei o "foda-se" e fui sozinho. No que pulava a cerca da pista já vi alguns parceiros que haviam mudado de idéia a me seguir. Corri pro meio e me enfiei pela primeira vez numa roda punk!! AAAhhhhh!!! Quase enlouqueci ao banguear com Propaganda ao vivo. No final, cover de Orgasmatron do Mötorhead. Fantástico!! Ver o show da sua banda predileta na sua melhor fase (algo dito pelo próprio Max em entrevista recente) é algo que todos deviam ter a oportunidade de experimentar.

Lembro que o Fernado estava compromissado naquela época, foi pro show de carro com a namorada e mais um casal de amigos. Encontrei ele na arquibancada, indignado por não poder ter ido até a pista antes e curti com ele uma parte dos Ramones, que encerrava a noite. Sabia apenas por alto da importância histórica da banda, conhecia poucas músicas na época (sim, sim, eu sei...), não fazia idéia do que estava presenciando e acabei curtindo o show praticamente todo da arquibancada e achava engraçado o baixista contar um "one, two, three, four" totalmente desnecessário no início de cada canção que sempre era executada num andamento diferente da contagem.

Lembro também que paguei 20 reais (acho até que era URV na época) pelo ingresso. (!!!). É uma pena eu não ter nenhuma foto, cartaz ou qualquer registro daquela noite. Na saída do Gigantinho ainda estavam vendendo uns patches com a divisa "eu bati cabeça no raimundos, ramones e sepultura", mas acabei não comprando; na ocasião me pareceu mais interessante comer um cachorro-quente. Durante muito tempo guardei a camiseta preta do Sepultura estampada com a ossada de um pássaro sobre uma teia de aranha verde que usei no show, mas ela acabou sumindo no limbo que o meu quarto costumava ser. Enfim, não importa. Mesmo sem ter nada dessas coisas, ainda consigo lembrar razoavelmente bem das cenas e acontecimentos.

Pra finalizar, Roger, a moral desse post é que pior que não ter tempo de fazer tudo que se quer é perder tempo se lamentando por isso!

Espero voltar a escrever em breve sobre os recentes acontecimentos e viagens, mas fique feliz se todavia eu não o fizer, ok??

PS: Ah, e pra completar a semana, como se não bastasse o show, três dias depois desse show conheci uma guria linda a qual, numa situação bastante constrangedora, acabei por beijar muito desengonçadamente. Depois daquilo fiquei até com vergonha dela por um tempo; não imaginaria que ela viria a ser minha primeira namorada... Voltas que o mundo dá!

5 comentários:

  1. Caralho... Não sabia que tu tinha visto os Ramones.

    Isso sim é um motivo pra te invejar!! Heheheheh

    Abração!

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  2. o meu, ver os ramones...
    essa aí nem o cartão mastercard paga.

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  3. Eu fui nesse show, e achei teu blog justamente pq eu não lembrava o ano e queria saber!!!
    Mas eu fui especificamente pelos Ramones, mas no fim gostei de ter visto Raimundos e Sepultura, e todos reunidos no palco foi o máximo!
    Tenho o maior orgulho de ter ido nesse show!
    Até mais!

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