sábado, 4 de julho de 2009

Volt Festival

É impressionante a quantidade de festivais de música que acontecem durante o verão em toda a Europa. Aqui na Hungria, além do Sziget, tem mais dois grandes festivais: o Balaton Sounds (música eletrônica) e o Volt Fesztival. Neste último, o line-up incluia Franz Ferdinand, Limp Bizkit e Sepultura, mas como a cidade onde ele acontece fica a 3 horas de trem e esses shows eram no meio da semana, não pude ir. Me restou ir conferir Marilyn Manson hoje. O Guilherme se dispôs a me acompanhar e perto do meio dia pegamos o trem pra Sopron.

A certa altura já estava quase arrependido da indiada em função dos custos - esse foi um pouco caro, pois além dos R$ 80 de ingresso, tive que desembolsar mais R$ 70 de transporte que não esperava. Mas no fim valeu muito a pena só pra ver o que é um verdadeiro festival de música: muitos palcos e apresentações simultâneas que levam o ecletismo ao extremo, de folclore local até a última tendência em música eletrônica, sem preconceito com qualquer vertente que vá do erudito ao metal, passando por música latina, jazz, reggae, enfim... Deu pra conhecer umas bandas muito foda de rock pesado que reativaram minha antiga paixão...


Se tu acha difícil entender alguma coisa do Ratos de Porão - que é trash metal em português -, tenta aí em húngaro...

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Chegou a hora então do esperado show (e a pontualidade estava sendo levada a sério). Rumei pro palco principal sozinho, pois o Guilherme a essa altura tinha se arranjado com uma pinta muito gente fina (sacou o eufemismo?) e ficou lá onde tocavam uma música eletrônica pirada. Rumei pro palco principal onde o telão dizia haver espaço vazio no lado direito do palco, aí pensei "porra, que troço organizado, quisera fosse assim no Brasil...". Mas logo entendi o porquê: foi tremenda idéia de jerico a dos organizadores montar uma arena em campo inclinado com o palco na parte mais alta. Ninguém queria ficar no lado direito porque não tinha como ver nada, por isso fui achar um lugar um pouco mais ao centro.

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De onde estava deu pra sacar bem a "teatralidade" do show do Manson: muitos truques cênicos e um comportamento no limite do aceitável. O cara tomava meio gole de cerveja só pra debochadamente cuspir de volta (baita marketing pro patrocinador do evento, pensei), fazia todo tipo de incitação à perversão sexual (até microfone no cofrinho) e tratava o público numa relação de quase sodomia, mandando a platéia pro inferno diversas vezes e sendo ovacionado cada vez mais por causa disso.


A cada intervalo vinham alguns assistentes pra retocar a maquiagem, os quais ele fazia questão de tratar com desdém, como se fossem escravos. Todo esse desprezo se refletiu no repertório que trouxe apenas duas das músicas mais conhecidas: "Beatiful People" e "Sweet Dreams".

Depois do Manson já tava contagiado pelo metal, aí voltei pra Arena Rock onde conheci a banda que fez a maior mistura no metal que já ouvi, influências de bossa nova a system of a down, cantando em húngaro: Isten Háta Mögött.


O plano era batalhar uma carona pra voltar e economizar, mas estávamos tão cansados que, depois de meia dúzia de tentativas, rumamos pra estação de trem e pegamos o primeiro com destino a Budapest. Mortos de cansados, mas de alma lavada (e pescoço doendo).

2 comentários:

  1. cara! assistir ao show do Marilyn Manson não é pra qualquer um!! tem que ter estômago ahahaha
    não acredito que tu perdeu o franz hahaha :)
    ah se no brasil as coisas funcionassem...

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  2. Veleu a pena velho, foi muito afudê! Dias como esse ficam pra sempre na memória =]

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