sábado, 16 de maio de 2009

III

Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo: Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.

Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro.

[Hilst, Hilda. Cantares do Sem Nome e de Partidas. São Paulo: Globo, 1995.]

2 comentários:

  1. Putz, essa mulher é foda.
    já viu as fotos dela? ótemas.

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  2. Hoje veio forte a saudade de ti, irmão.
    abraço.

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